Receitas federais somaram R$ 2,9 trilhões no ano passado

O governo federal registrou uma arrecadação recorde em 2025. As receitas somaram R$ 2,9 trilhões, uma alta de 3,65% em relação ao ano anterior, já descontado o efeito da inflação, segundo dados anunciados nesta quinta-feira (22) pela Receita Federal.

Só no mês de dezembro, as receitas somaram R$ 292,7 bilhões, um aumento real de 7,46% em relação ao mesmo mês de 2024. Nesta comparação o resultado também é o melhor para o mês na série histórica, iniciada em 1995.

Apesar disso, o desempenho final de 2025 representa uma leve desaceleração em relação ao ritmo observado ao longo do ano, quando a arrecadação chegou a acumular uma alta real de 4,41% em julho.

O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, disse que os números apresentados são “bons e bonitos”. “Foi um crescimento importante, considerando inclusive o patamar alto do ano anterior e receitas não recorrentes do ano anterior”, afirmou. Em 2024, a arrecadação federal teve expansão real de 9,6%, estabelecendo um novo recorde até então.

Em 2025, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contou com uma série de medidas para reforçar o caixa, mas o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) e o efeito do aumento de preços também ajudaram a puxar as receitas.

Por outro lado, o patamar de restritivo de juros, que afeta a atividade e impacta as receitas, freou uma expansão ainda maior. A taxa básica de juros, a Selic, está em 15% ao ano desde junho de 2025.

Uma das medida que ajudaram a impulsionar a coleta de tributos foi o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), anunciado em maio de 2025. A arrecadação com o imposto somou R$ 86,5 bilhões, um crescimento real de 20,5% em relação ao ano anterior. Em valores absolutos, representa um incremento de R$ 14,7 bilhões no período.

O chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita, Claudemir Malaquias, afirmou que a mudança na legislação do IOF, com aumento de alíquotas, contribuiu com cerca de R$ 12 bilhões do aumento nas receitas com o imposto, valor que superou a estimativa inicial de R$ 10 bilhões.

Essa era a expectativa final de arrecadação após as idas e vindas do decreto do IOF. A versão inicial, com abrangência maior, previa um reforço de R$ 20,5 bilhões em 2025, mas enfrentou resistências do Congresso Nacional.

Na arrecadação de 2025, houve ainda um incremento de 12,9% no IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte) de residentes no exterior, o que representa um adicional de R$ 9,9 bilhões em termos absolutos. Ao todo, essa categoria rendeu R$ 86,2 bilhões em receitas ao governo federal.

A Receita também apontou um aumento de 6,4% nas receitas de IRRF sobre rendimentos de capital, que subiram a R$ 162,6 bilhões no ano passado. Segundo o coordenador de Previsão e Análise do órgão, Marcelo Gomide, o desempenho reflete uma mudança legislativa de 2023, que alterou a tributação sobre os fundos exclusivos de investimentos, voltados à alta renda.

Outros tributos ligados à atividade econômica também tiveram aumento, como PIS/Cofins (alta de 3%), impostos incidentes sobre o comércio exterior (9,5%) e contribuição previdenciária (3,3%).

Por outro lado, a Receita registrou R$ 123,6 bilhões em desonerações tributárias. O valor é R$ 1,4 bilhão menor do que o observado em 2024. Outros R$ 249,3 bilhões foram abatidos por meio de compensações tributárias (quando os contribuintes usam créditos para pagar menos tributos).

Durante a entrevista coletiva, Barreirinhas destacou que 2026 será o ano de uma “mudança de postura” da Receita Federal de maneira definitiva. O objetivo é centrar esforços nos incentivos à regularização de contribuintes sem necessidade de litígio.

Segundo o secretário, no ano passado foram recuperados R$ 177,5 bilhões por meio da cobrança amigável de contribuintes. A meta é alcançar os R$ 200 bilhões em 2026.

Em outra frente, o fisco deve colocar em prática os novos instrumentos aprovados na lei do devedor contumaz, classificação conferida a empresas que se valem propositalmente da sonegação de tributos para financiar seu modelo de negócios.

Barreirinhas deu como exemplo o setor de cigarros, em que a dívida de empresas regulares é apenas uma fração dos débitos de empresas classificáveis como devedoras contumazes.

Segundo os dados do órgão, 13 empresas regulares devem R$ 4,6 bilhões, enquanto sete empresas irregulares sustentam um débito de R$ 15 bilhões. Outras 15 empresas inativas devem R$ 23,1 bilhões, e há indícios de que parte delas foi sucedida por empresas existentes e que estão no grupo das irregulares.

“São pessoas que se utilizam da estrutura comercial para prejudicar outras empresas. Para esses, o tratamento será bastante duro, obviamente depois de todo o contraditório e ampla defesa”, disse Barreirinhas.

Fonte: Jornal folha de São Paulo
19 de janeiro 2026