O recuo de 0,4% do volume de serviços, em maio frente a abril, veio abaixo do que o mercado esperava, confirmando o cenário de desaceleração gradual da economia brasileira. Segundo Étore Sanchez, economista da Ativa Investimento, a frustração das estimativas veio do grupo “outros serviços” – que inclui atividades artísticas, culturais, recreação e lazer – que teve queda de 1,9%. Esse segmento somado ao de transportes, que caiu 1%, foi o grande responsável por levar o setor ao campo negativo, segundo os dados do IBGE, divulgados nesta quarta-feira. Apesar de enxergarem perda de fôlego na atividade, os economistas não alteraram as suas projeções para o crescimento do PIB, que variam entre 1,7% e 2%.

– O número de maio confirma que o custo do juro real elevado já chegou ao setor de serviços. Depois de dois meses de recuperação, a atividade voltou a recuar, e o detalhe mais relevante não é o resultado mensal — é a base anual, que desacelerou para 0,4%, muito abaixo do que o mercado projetava. Lembrando que era de 1,9% em abril. . A queda veio justamente de transportes e outros serviços — áreas mais sensíveis a crédito e custo de capital de giro —, enquanto serviços profissionais e voltados às famílias ainda sustentam algum crescimento. É um sinal de desaceleração seletiva, não de colapso, mas reforça que o segundo semestre deve ser mais duro para o setor – avalia João Debom, sócio da Alude Capital

Cláudia Moreno, economista do C6 Bank, reforça que apesar dos juros terem caído um pouco ainda permanecem em um patamar elevado, isso tende a moderar a atividade. De outro lado, temos ainda um mercado de trabalho aquecido, estímulos do governo que devem fazer com que essa desaceleração seja gradual. Os serviços prestados às famílias (que incluem alimentação e alojamento), que têm sido o grande motor do setor, continuam em campo positivo.

– Estamos vendo alguns dados mais fracos, a leitura é de uma desaceleração sim, mas é uma desaceleração gradual – ressalta a economista.

Na avaliação de Felipe Sichel, economista-chefe da Porto Asset, a restrição da política monetária do Banco Central e sua transmissão aparecem ainda de forma mais lenta do que o esperado, para a economia real.

Fonte: Jornal O Globo
15-07-2026