Os motivos da alta em tempos de juros elevados no financiamento passam, sobretudo, pelas marcas chinesas. O aumento da concorrência em diferentes faixas de preços tem estimulado as empresas a oferecer descontos, valorização dos automóveis dados na troca e planos de parcelamento subsidiados.

O elétrico BYD Dolphin Mini segue líder no varejo, com 5.143 unidades emplacadas em junho. No geral, a montadora ocupa a quarta colocação em vendas no acumulado de 2026, com 107,4 mil carros faturados. O resultado em seis meses se aproxima do registrado durante todo o ano passado (112,8 mil emplacamentos).

De acordo com levantamento feito pela consultoria Bright, uma fatia de 19,7% das vendas em junho coube às marcas chinesas. É um novo recorde de participação, e com tendência de alta.

Lançado há um ano, o programa Carro Sustentável também segue como estímulo à comercialização de automóveis zero-quilômetro. Modelos compactos que atendem a metas de emissões e de conteúdo local seguem com isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).

A combinação desses movimentos do mercado fez com que os emplacamentos no varejo ultrapassassem as vendas diretas. Segundo a Bright, pouco mais de 50% dos licenciamentos de veículos no primeiro semestre couberam a pessoas físicas.

Entretanto, a participação das locadoras segue forte no mercado nacional, como mostra o resultado por regiões. Em junho, Minas Gerais concentra novamente o maior número de veículos registrados no Brasil, de acordo com a Bright. É neste estado que está a sede da Localiza, maior empresa do setor de aluguel de automóveis no Brasil.

Para o segundo semestre, há expectativa de alta motivada pelo Move Brasil. Lançado no dia 19 de junho, o programa do governo federal permite que motoristas de aplicativos e taxistas financiem automóveis com taxas mais baixas de juros.

Há, contudo, fatores que podem atrapalhar o crescimento do mercado, como a alta do Imposto de Importação que incide sobre carros importados híbridos e elétricos.

Nesta quarta (1º), a alíquota foi recomposta para 35%, voltando a ser a mesma válida para os demais modelos trazidos de países que não possuem acordos comerciais com o Brasil no setor automotivo.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo
03
-07-2026