Luiz Marinho afirma que ‘trabalha todo dia’ pela aprovação, e culpa Alcolumbre por não pautar proposta

A proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 deverá ter sua votação adiada para depois das eleições de 2026. A avaliação foi feita pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que afirmou que, embora o governo continue defendendo a medida, o cenário político atual torna improvável que o texto seja apreciado pelo Congresso Nacional ainda este ano.

De acordo com o ministro, a principal razão para o adiamento é a falta de definição da pauta no Senado Federal. A proposta ainda não foi colocada para votação pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre, responsável por decidir quais matérias serão analisadas pelo plenário. Com o calendário eleitoral se aproximando, a tendência é que projetos de maior impacto econômico e social sejam discutidos apenas após o período das eleições.

A proposta tem como objetivo alterar o atual modelo de jornada adotado por muitas empresas brasileiras, no qual o trabalhador exerce suas atividades durante seis dias consecutivos e descansa apenas um. Defensores da mudança afirmam que o fim da escala 6×1 pode proporcionar melhor qualidade de vida aos trabalhadores, reduzindo o desgaste físico e mental e ampliando o tempo disponível para descanso, convivência familiar e lazer.

Por outro lado, representantes do setor empresarial demonstram preocupação com os possíveis impactos financeiros da medida. Entre os principais argumentos estão o aumento dos custos com contratação de pessoal, reorganização das escalas e possíveis reflexos na produtividade, especialmente em setores que dependem de funcionamento contínuo, como comércio, indústria, saúde, segurança e serviços essenciais.

Apesar do adiamento, o governo reafirma que pretende manter o debate sobre a modernização das relações de trabalho e buscar apoio político para que a proposta avance futuramente. No entanto, a aprovação dependerá da construção de consenso entre os parlamentares e da definição da agenda legislativa após o período eleitoral.

Enquanto isso, nenhuma alteração ocorre na legislação trabalhista. A escala 6×1 continua plenamente válida e pode ser adotada pelas empresas conforme as regras atuais da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Somente após eventual aprovação da proposta pelo Congresso e conclusão do processo legislativo é que novas regras poderão entrar em vigor.

O adiamento da votação representa, portanto, uma pausa no andamento da proposta, e não seu arquivamento. A expectativa é que o tema volte a ganhar força no debate político após as eleições de 2026, quando o Congresso deverá retomar a análise de projetos considerados estruturais para as relações de trabalho no país.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo
24
-07-2026