Microempresas reúnem os maiores índices de atraso entre os tomadores

Mais de 40% das operações de crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada são contratadas por pessoas com renda de até dois salários mínimos, segundo levantamento da TransUnion e da Deloitte com base em dados do Banco Central.

Do total, 12% das operações são realizadas por trabalhadores que recebem até um salário mínimo, enquanto 28,9% estão na faixa entre um e dois salários mínimos. O levantamento mostra que o crédito consignado privado vem ganhando espaço entre trabalhadores de menor renda, em um cenário de maior endividamento das famílias.

O volume da modalidade chegou a R$ 113,3 bilhões em junho, com aproximadamente 10 milhões de trabalhadores utilizando esse tipo de crédito, de um universo de cerca de 40 milhões de pessoas com carteira assinada. Quase 150 instituições financeiras já atuam nesse mercado.

Apesar da expansão, o cenário exige atenção. A taxa média de juros subiu de 53,3% para 56,7% ao ano, enquanto o prazo médio dos contratos caiu de 40 para 35 meses. A inadimplência da modalidade está em 8,6%, chegando a 10% entre clientes de microempresas.

A faixa de trabalhadores que recebe entre dois e três salários mínimos apresenta o maior tíquete médio dos empréstimos, de R$ 19.574.

Os números indicam que o consignado privado se tornou uma importante fonte de crédito para trabalhadores de menor renda, mas também evidenciam os riscos associados ao aumento do endividamento e ao custo elevado dos empréstimos.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo
19
-08-2026